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Depois de algum tempo a pensar o que quero dele (apesar de não o anunciar), sabendo que terá um âmbito completamente diferente deste, apresento-vos O Austero.

The Sartorialist


Sartorial adj. Pertaining to a tailor or his work; also, pertaining to men's clothes.

Para elucidar alguns, iluminar outros. Para educar alguns, abrir a mente de outros.

Inevitável, The Sartorialist

Lições de ciência política.

Quando um pobre, operário, analfabeto, urbano vota à esquerda, é porque os partidos de esquerda defendem os interesses das classes oprimidas. Quando um pobre, agricultor, analfabeto, rural vota à direita é a expressão do conservadorismo retrógrado e ignorante.

Henrique Burnay, no 31 da Armada.

La Tigre e la Neve

A poesia e a guerra. O amor e a morte. O riso e a lágrima. A fantasia e a realidade. A beleza e o horror. Depois de um morno “Pinocchio” (2002), Roberto Benigni volta a aproximar-se à magistralidade de “La Vita à Bella” (1997) com uma fábula desarmante e comovente, onde se confundem todas as emoções, e onde a pureza humana surge como remédio para uma sociedade moralmente contaminada.

“La Tigre e la Neve” conta a história de Atillio di Giovanni (Benigni), um poeta e professor universitário, divorciado e pai de duas filhas. Todas as noites Attilio imagina - a la Fellini - o casamento com a mulher dos seus sonhos. No meio dos convidados estão Jorge Luis Borges e Marguerite Yourcenar, entre outros; ao piano: Tom Waits.

Numa conferência de imprensa dada por Fouad (Jean Reno), um poeta iraquiano amigo de Atillio que vive em Paris, Attilio vê Vittoria (Nicoletta Braschi), a mesma mulher do sonho, e também a mulher por quem Attilio está perdidamente apaixonado e que persegue por todo o lado na tentativa de a convencer do seu amor. Os seus esforços recebem a dissuasora resposta de que Vittoria cederá apenas quanto nevar sobre um tigre. Vittoria está a escrever a biografia de Fouad, e quando este decide regressar a Bagdad, Vittoria vai com ele. Attilio não demora muito a ir atrás de Vittoria, mas desta feita por motivos mais graves que o capricho.

Attilio parte numa viagem atribulada para salvar o seu amor. Mas Vittoria é aqui apenas o símbolo/veículo de um sentimento que reside, essencialmente, no fundo de cada um de nós, e que deverá justificar os maiores riscos: a capacidade de amar. Uma consciência que, no mundo actual, atolado em guerras e conflitos mesquinhos, parece faltar.

“La Tigre e la Neve” apresenta claramente uma estrutura clássica em três actos, e, apesar do fio condutor, fragmenta-se em sketches, uns mais eficazes que outros, e talvez essa falta de homogeneidade seja a maior falha deste filme. De resto, a mestria de Benigni na comédia de equívocos (o ponto alto sendo o fabuloso “Il Mostro”, 1994), o lirismo dos diálogos e os subtis detalhes. Entre estes, saliento o momento em que Attilio é atingido pela bandeira da paz, num contraponto aos que justificam a guerra como meio de alcançar o seu oposto; e a invocação de Alá através de um Padre Nosso, porque afinal a fé vale por ela mesma, tal como o amor, e não pelo deus-objecto.

O filme é Benigni, em todas as cenas. Nicoletta Braschi, esposa e musa de Benigni e recorrente protagonista dos seus filmes, e, à semelhança de “Pinocchio”, também produtora, tem aqui a oportunidade rara de o confrontar. Numa participação mais do que especial, Waits, que conhece Benigni pelo menos desde 1986, quando contracenaram em “Down by Law” (1986), de Jim Jarmusch, canta “You Can Never Hold Back Spring”, uma belíssima canção composta com Kathleen Brennan propositadamente para este filme. O resto da música é assinada por Nicola Piovane, que recebeu o Oscar por “La Vita è Bella”.

“La Tigre e la Neve” é um filme sobre palavras, e a importância de escolher as certas. De nunca nos esquecermos de dizer adeus a quem amamos (e, por sinal, não esquecer também de dizer que os amamos), porque de cada vez pode ser para sempre.

Um filme belo sobre o amor, não aquele que é imutável mas aquele que é inelutável.

Rita Almeida

http://cinerama.blogs.sapo.pt/

Querer é querer ter os fins de tarde solarengos. é querer ter o que traz o vento que bate ao de leve na cara. é querer ser o calor do afago no pescoço. é querer ser pedra de calçada pisada por passos de bailarina. é querer morder a maçã mais vermelha do pomar. é querer ser nota de música - afinadíssima! é querer poder cheirar a almofada. é querer deitar cedo. é querer enroscar os dedos mindinhos. é querer poder correr de olhos fechados. é querer nadar no mar às escuras. é querer ser a maçã mais vermelha do pomar. é querer ser ombro nú. é querer ser o sol dos finais de tarde. é querer ser um silêncio abafador de ruído. é querer ser passos de bailarinha. é querer ser almofada. é querer ter arma. é querer ser bala. é querer ter sono. é querer ser o vento que bate na cara. é querer ser rua apertada. é querer esconder debaixo da cama certos passados pequeninos. é querer ser fome. é querer ser o bolo de aniversário. é querer ser o pescoço afagado. é querer ser aperto de mão. é querer ser dedo mindinho. é querer dormir às quatro e meia. é querer dar pontapés no tempo e marcar golo. é querer ser um nome. é querer ter um nome.

Joana